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Fox-Time

If only...we understood Love...

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If only...we understood Love...

Valentine's Day

06.03.21

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Chovia copiosamente, de tal forma que uma corrente se formara
descendo o alcatrão em direcção à rotunda há muito implantada
no final da avenida, provocando naturais constrangimentos aos peões
desprevenidos, apanhados na hora do pretenso passeio higiénico.

Uma lufada de ar arrefecido esgueirava-se por entre as portas
envidraçadas na sua direcção, dando conta do repentino arrefecimento
nocturno no exterior, contribuindo para um pôr do sol cinzento sombrio.
 
Que ninguém se queixe - reflectiu.
Ok, pronto, que ninguém que passeara no Domingo...se queixe!
Sorriu para si mesmo.
Domingo...dia dos namorados ou como ele conhecera antes de ser
namorado de quem quer que fosse, em terra tão longe, Valentine's Day.

O Domingo trouxera uma manhã radiosa de sol aberto quente sem quaisquer
traços de nuvens e uma brisa suave, quase primaveril, que, onde eles resolveram
ir caminhar, obrigava a despir casacos, tal o bem estar provocado por tamanha
quentura prontamente divulgada por inúmeros pássaros nas imediações da
vegetação que cobria as falésias e arribas circundantes ao extenso areal e mar
aos seus sopés.
 
Domingo...
 
"Lá por haver confinamento, não quer dizer que não podemos ir numa de
namorados tontos" - dissera-lhe, justificando a hora matinal,
do encontro programado.

O que não contara, era que ela estivesse à porta do prédio, esperando-o,
com uns enormes balões vermelhos acompanhados de um, meio roxo,
em forma de coração.
Realmente, ela quando queria, tirava-lhe o tapete debaixo do pés!

"Estás doente, não estás? Covid?"

"Então? A ideia foi tua! Como passar por namorados tontos?- ria-se,
ao tomar lugar a seu lado no carro.

"Bem...como é Carnaval.."- devolvia-lhe o sorriso a meio de um beijo,
que deixara marcas de um vermelho bem agressivo.
"Puxa! Não me digas que até a lingerie é vermelha?"

Não respondeu.
Apenas fez por esconder a reacção olhando a janela do lado oposto,
o cabelo loiro longo contrastando fortemente com o casaco preto aveludado,
justo mas confortável, que ele lhe oferecera.
Traçou as pernas, as calças de ganga tipo slim enaltecendo os contornos
sensuais das mesmas e da coxa que rodara ligeiramente devido à posição.
 
"Amor, agora não podes entrar já...preciso de um tempinho..."

" Como assim?"

"É como te digo - e não perguntes mais nada! Amanha-te! 
Já já, digo quando. Porta-te bem..."
 
"A sério?"

"You're the best my love!"

E com isto saíra em direcção ao prédio onde morava,
deixando-o de boca aberta, vendo-a dizer um adeus rápido
enquanto fechava a porta atrás de si.

Que cena - pensou - aquela frase num dia daqueles...

Ao entrar foi logo invadido pelos cheiros de aromas quentes
e melosos, sendo a escuridão, notável.
Penduro o casaco de camurça e olhou o quarto.
Os balões da tarde encontravam-se fixados e hirtos que nem flores
numa jarra, reluzindo à luz de duas pequenas velas branquinhas,
enquanto uma outra, noutra mesinha de cabeceira,
bem maior...e vermelha...flamejava o quarto com a sua chama maior,
revelando o conjunto de três taçinhas em cerâmica branca,
repletas de uvas, morangos...e...algo mais...
Seria chocolate?
Onde estava ela?

"Anda amor, estou aqui..."

Afastou-se do quarto ao mesmo tempo que Earned it do The Weeknd
tomava conta do espaço, igualmente iluminado pelas várias velas minúsculas
de múltiplas cores, cintilantes, espalhadas pelo aparador e tampo da kitchenette.
Uma cadeira sentinela encontrava-se no meio da carpete, o seu assente
servindo de degrau ao sapato de salto alto vermelho que repousava nele,
extremidade de uma perna que lhe conduziu o olhar até ao babydoll
e consequentemente, até ao olhar dela, fulminante e atrevido.

Sim, era vermelho.

Ficou inerte a olhá-la.
Mexia-se de forma segura na sua direcção,
que nem gata que caça por prazer,
pegando-lhe com ternura na mão,
levando-o até à cadeira de napa peta,
onde seguidamente,  sem pressa, o sentou
e sempre ciente dos movimentos que executava,
livrou-o dos sapatos, calças...e boxers,
sorrindo-lhe largamente ao ver o efeito mola que produzira.
Ele nada pôde, se não, um pouco atabalhuadamente, sorrir de volta.

"És terrível miúda..."

"Nada disso...tu é que me fazes ser terrível.
Adoro ver essa safadeza no teu olhar,
adoro como me queres possuir, adoro ser tua..."

Sentiu-a tomá-lo na boca, o batom vermelho envolvendo o seu sexo,
com sofregão, como quem degusta um gelado em final de tarde veraneana,
o efeito fazendo-o agarrar os cabelos soltos em forma de rabo de cavalo,
permitindo-o percepcionar o espectáculo que lhe era proporcionado.

A música escolhida emprestava ao momento uma excitação crescente e ele
sabia que não tardaria muito em que teria de trocar de lugar com ela,
mas, deixou-se levar pelos caprichos daquela mulher linda e sexy,
que sem avisar, levantou-se para ir buscar uns cálices com Moscatel.

Avançou para o colo dele, de sorriso maroto rasgado.

"Vá, segura-o...Vem para dentro de mim...Quero te..."

Assim fez e logo sentiu como ela estava quente e encharcada.
" Tu...arrebentas comigo..."

"Ummm...Como és gostoso amor...Espera...não te mexes...Toma..."
Entregou-lhe um dos cálices.

"Complicado ficar quieto..."- disse-lhe -"estás em brasa!"

"Eu sei, quero que me faças o que quiseres...quero que me faças vir
como só tu sabes...mas...só mais um bocadinho..."

"Ok...diz lá miúda..."- ria-se para ela, de copo na mão.
" Porquê a espera?"

"Olha...quero fazer um brinde.
Um brinde a nós amor.
E...que o futuro traga muitos mais...assim..."
 
Olhou-o, olhos humedecidos, expectantes.
 
Puxou-a, carinhosamente, até si.
Beijou-a.
Sentiu como era tudo tão bom.
Perfeito.

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