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Fox-Time

If only...we understood Love...

Fox-Time

If only...we understood Love...

Sonhar em Voz alta

29.12.20



Os pensamentos dele derretiam-se e o suor em pequenas gotas fugia em caminho ao colarinho que,
mesmo estando o vidro do automóvel aberto, tornava-se húmido e desconfortável.

Lá fora o ruído era interprete fiel de um dia de quase verão em semana de trabalho, algo que noutros
tempos teria passado mais despercebido, algo que agora, o irritava.

Preferia o habitual silêncio da noite que trazia o brilho da lua e o agitar ao de leve das cortinas de
lamelas verticais em plástico, que recentemente colocara no quarto onde passará a dormir,
impulsionadas pela brisa marítima.

Assim podia descansar.
Podia repousar.
Podia respirar.
Podia permanecer horas sem fim de olhos fechados, acordado.
Mas ali, em hora de almoço, não.

Ajeitou-se na tentativa de encontra outra posição, mais confortável.
Sorriu.
Ninguém via, mas sabia bem sorrir.
Era bom lembrar.
Mesmo que lhe fosse cobrado, por isso, um lágrima ou outra.

- ...amor...?
- Sim miúda.
- ...amorrr!?
- Bolas...Porque me olhas assim?

- Como, "assim"?
- Esse teus olhos traquinas...
- Ahhh...é que...gostava que tirasses o que está a cobrir o recanto mais íntimo do meu corpo.

- Ai é ?
- Sim...apetece-me...
- Ummm...e como seria...se eu fizesse isso ?
- Queres mesmo saber?
- És mesmo uma tretas...claro que quero !
- Ok...então vou contar...

De pé no meio do quarto, puxas-me por uma mão e fazes-me caminhar em teu redor,
os saltos dos sapatos vermelhos altos entoando no soalho, o vestido curto balouçando ao ritmo
dos meus passos.

Ajoelhas-te e fazes-me parar defronte do teu rosto enquanto as tuas mãos sobem pelas minhas pernas,
aninhando-s por detrás dos joelhos e forçando-as a afastarem-se ligeiramente.

Olhas-me e inspiras o perfume que se desprende do meu corpo, aroma da excitação que me invade.
Inclinas-te e dás pequenos beijos que sobem pelos meus tornozelos na direcção dos joelhos.
Alternas os beijos entre uma perna e outra e os teus dedos curiosos vão subindo pelas minhas coxas
em até ás minhas nádegas.


Ergues o meu vestido, uma mão segurando-o contra as minhas costas enquanto a outra agarra-me o rabo,
impulsionando o meu corpo contra o teu rosto.

Beijas-me por cima do pequeno triângulo de renda preta mordendo levemente a carne quente que
se advinha escondida.

Começo a soltar o vestido, desabotoando os botões que o percorrem e tu, de imediato,
levantas-te e olhas-me nos olhos enquanto levas os dedos à minha cuequinha, procurando o contacto
directo com a humidade da minha xoxa que já sentes através do tecido.

Acaricias-me.
Suspiro e ouço-te dizer:
- Porra...como estás molhada miúda!

Fico impaciente e acabo por despir o vestido pela cabeça, atirando-o longe.
Não interessa onde.
Puxas pela argola que reúne o tecido da cuequinha junto ao meu rego, fazendo com que a mesma
se introduza ainda mais entre as minhas nádegas.

A pressão causa-me um estremecimento de prazer.
Viras-me para trás e começas a acariciar-me as costas, porque sabes como adoro isso, provocando
um longo e pronunciado arrepio.

Depositas beijos húmidos que descem pelo meu corpo, tornando-se mais rudes quando encontram
o rabo que empino contra a tua boca.

Entre as minhas pernas dançam dedos inquietos que roçam a minha intimidade,
pressionando-a por cima da renda.
Gemo.
Voltas-me de novo para ti e começas a lamber a pele das minhas virilhas, prometendo uma
aproximação que anseio, até que te levantas de novo para morder com ternura os mamilos expostos,
pequeninos e rijos, nas minhas mamas cheias e tesas, como tu adoras!

Voltas a ajoelhar-te e mordes o tecido com os dentes, baixando lentamente, enquanto as tuas mãos
vão acariciando as minhas coxas e nádegas deixando escorrer o principio de prazer que vou sentido.

Entre carícias mais arrebatadoras e beijos, a cuequinha vai descendo pelas minhas pernas e eu vou
ficando mais e mais excitada.

- Desejo-te - digo.

Ergues uma das minhas pernas e coloca-la no teu ombro, enquanto me seguras com uma mão aberta
nas nádegas, os dedos cravados na carne, empurrando-me simultaneamente na direcção da tua boca
que me quer saborear.

Fecho os olhos e sinto a tua boca nos meus lábios húmidos, a língua a brincar com a minha saliência
normalmente pequenina e escondida mas que agora cresce desalmadamente há medida que os teus
dedos me penetram num vaivém que roça o meu ponto sensível.

Olho-te por momentos, olhos semi-cerrados, mãos apoiadas nos teus ombros, na tua cabeça,
mãos que se entrelaçam nos teus cabelos...

Sinto aquele momento a tomar conta de mim, sei que tu o queres sentir também.
- Não pares amor, vou te dar.

Agarras-me com mais força, quase animalesca, sabes que me perco nesses instantes.
Enfias o teus dedos e a tua mão envolve todo o meu sexo, a palma esmagando-o.
Toma! - grito- Toma amor!

E...uma corrente quente irrompe de dentro de mim, pernas abaixo, pelo teu braço,
salpicando o teu rosto, o teu peito...o teu corpo...
deixo o meu corpo sucumbir à êxtase daquela prazer desmedido...
e és tu que amparares a minha queda...que me trazes para à tua frente...de joelhos.

- Quero-te amor - quase imploro.

Olhas-me e sorris, aquele sorriso que só tu sabes fazer numa altura daquelas.
- Sim meu amor...acho...que também te quero...e rias-te maliciosamente
como sempre fazes nessas alturas em que vês as minhas pernas a tremelicar de prazer.


Ele, suspira longamente e roda a chave na ignição para baixar os vidros de trás do carro.
Não era difícil recordar o resto. Nada difícil mesmo.
Era fácil recordar.
Só que, hoje em dia, o recordar era apenas companheiro da dor familiar que morava nele,
fiel amigo solitário.

Para quê recordar?
Já não passavam de lembranças que se misturavam para formar contos de momentos vividos com ela.

Contudo, naquela hora, em que comera um hambúrguer dentro da sua viatura ao pé da baía
que tantas vezes testemunhará que desavenças, quer momentos amorosos entre eles,
queria apenas recordar algo de bom.

Para a memória que procurava, agora, faltava a cumplicidade de outros tempos, feitos de um diálogo
entre duas pessoas que se conhecem...que se lêem nos olhares que trocam e que se amam,
muito para além do óbvio.

Faltava a espera que dói mas que é boa, porque há a expectativa do próximo reencontro
entre quem se gosta, de quem se entrega de corpo e alma, sem reservas.
O amor assim, apenas dependera das suas paixões, das vontades,
de estarem abraçados e sossegados,
ou a fazer amor,
brincando ou sérios,
a rir ou a chorar.

Ou, simplesmente, a sonharem.

Por vezes até, a sonharem em voz alta...o dia de amanhã...

2 comentários

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    Fox

    24.01.21

    Sim, verdade.
    Até quando faz doer.
  • Comentar:

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