Sonho Acordado
03.01.20
Os pensamentos dele derretiam-se e o suor em pequenas gotas fugia em caminho ao colarinho que,
mesmo estando o vidro do automóvel aberto, tornava-se húmido e desconfortável.
Lá fora o ruído era interprete fiel de um dia de quase verão em semana de trabalho, algo que noutros tempos teria passado
mais despercebido, algo que agora, o irritava.
Preferia o habitual silêncio da noite que trazia o brilho da lua e o agitar ao de leve das cortinas de lamelas verticais em plástico,
que recentemente colocara no quarto onde passará a dormir, impulsionadas pela brisa marítima.
Assim podia descansar.
Podia repousar.
Podia respirar.
Podia chorar.
Podia permanecer horas sem fim de olhos fechados, acordado.
Mas ali, em hora de almoço, não.
Ajeitou-se na tentativa de encontra outra posição, mais confortável.
Sorriu.
Ninguém via, mas sabia bem sorrir.
Era bom lembrar.
Mesmo que lhe fosse cobrado, por isso, um lágrima ou outra.
- ...amor...?
- Porque me olhos assim?
- Como, "assim"?
- Esse teus olhos traquinas...
- Ahhh...é que...gostava que tirasses o pequeno tecido que está a cobrir o recanto mais íntimo do meu corpo.
- Ai é ?
- Sim...apeteces-me...
- Ummm...e como seria...se eu fizesse isso ?
- Queres mesmo saber?
- És mesmo uma tretas...claro que quero !
- Ok...então vou contar...
De pé no meio do quarto, puxas-me por uma mão e fazes-me caminhar em teu redor,
os saltos dos sapatos vermelhos altos entoando no soalho, o vestido curto balouçando ao ritmo dos meus passos.
Ajoelhas-te e fazes-me parar defronte do teu rosto enquanto as tuas mãos sobem pelas minhas pernas, aninhando-s
por detrás dos joelhos e forçando-as a afastarem-se ligeiramente.
Olhas-me nos olhos e inspiras o perfume que se desprende do meu corpo, aroma da excitação que me invade.
Inclinas-te e dás pequenos beijos que sobem pelos meus tornozelos na direcção dos joelhos.
Alternas os beijos entre uma perna e outra e os teus dedos curiosos vão subindo pelas minhas coxas em até ás minhas nádegas.
Ergues o meu vestido, uma mão segurando-o contra as minhas costas enquanto a outra agarra-me o rabo, impulsionando
o meu corpo contra o teu rosto.
Beijas-me por cima do pequeno triângulo de renda preta mordendo levemente a carne quente que se advinha escondida.
Começo a soltar o vestido, desabotoando os botões que o percorrem e tu, de imediato, levantas-te e olhas-me nos olhos
enquanto levas os dedos à minha cuequinha, procurando o contacto directo com a humidade da minha xoxa que já sentes através do tecido.
Acaricias-me.
Suspiro e ouço-te dizer:
- Porra...como estás molhada miúda!
Fico impaciente e acabo por despir o vestido pela cabeça, atirando-o longe.
Não interessa onde.
Puxas pela argola que reúne o tecido da cuequinha junto ao meu rego, fazendo com que a mesma se introduza ainda mais
entre as minhas nádegas.
A pressão causa-me um estremecimento de prazer.
Viras-me para trás e começas a acariciar-me as costas, porque sabes como adoro isso, provocando um longo e pronunciado arrepio.
Depositas beijos húmidos que descem pelo meu corpo, tornando-se mais rudes quando encontram o rabo que empino contra a tua boca.
Entre as minhas pernas dançam dedos inquietos que roçam a minha intimidade, pressionando-a por cima da renda.
Gemo.
Voltas-me de novo para ti e começas a lamber a pele das minhas virilhas, prometendo uma aproximação que anseio,
até que te levantas de novo para morder com ternura os mamilos expostos, pequeninos e rijos,
nas minhas mamas cheias e tesas, como tu adoras!
Voltas a ajoelhar-te e mordes o tecido com os dentes, baixando lentamente, enquanto as tuas mãos vão acariciando as
minhas coxas e nádegas deixando escorrer o principio de prazer que vou sentido.
Entre carícias mais arrebatadoras e beijos, a cuequinha vai descendo pelas minhas pernas e eu vou ficando mais e mais excitada.
- Desejo-te - digo.
Ergues uma das minhas pernas e coloca-la no teu ombro, enquanto me seguras com uma mão aberta nas nádegas,
os dedos cravados na carne, empurrando-me simultaneamente na direcção da tua boca que me quer saborear.
Fecho os olhos e sinto a tua boca nos meus lábios húmidos, a língua a brincar com a minha saliência normalmente pequenina
e escondida mas que agora cresce desalmadamente há medida que os teus dedos me penetram num vaivém que roça o meu
ponto sensível descoberto por ti.
Olho-te por momentos, olhos semi-cerrados, mãos apoiadas nos teus ombros, na tua cabeça,
mãos que se entrelaçam nos teus cabelos...
Sinto aquele momento a tomar conta de mim, sei que tu o queres sentir também.
- Não pares amor, vou te dar.
Agarras-me com mais força, quase animalesca, sabes que me perco nesses instantes.
Enfias o teus dedos e a tua mão envolve todo o meu sexo, a palma esmagando o meu clitóris.
Toma! - grito- Toma amor!
E...uma corrente quente e abundante irrompe de dentro de mim, pernas abaixo, pelo teu braço, salpicando o teu rosto,
o teu peito...o teu corpo...deixo o meu corpo sucumbir à êxtase daquela prazer desmedido...
e és tu que amparares a minha queda...que me trazes para à tua frente...de joelhos.
- Quero-te todo - quase imploro.
Olhas-me e sorris. Aquele sorriso que só tu sabes fazer numa altura daquelas.
- Sim meu amor...acho...que também te quero...e rias-te maliciosamente
como sempre fazes nessas alturas em que vês as minhas pernas a tremelicar de prazer.
Levantas-te, a tua verga está agora diante do meu olhar, carne escura rosada palpitando a minha frente,
grossa e pronta e explodir o seu liquido espesso...e eu consigo cheirar-te...e o desejo de comer-te toma conta de mim,
a necessidade de te ter dentro de mim desperta-me os sentidos novamente, sei que me vou vir outra vez,
quero vir-me outra vez, contigo em mim!
- Vira-te- dizes-me - Quero que o enfies por trás! Pega...como tu fazes...
- Espera - digo-te - agora, mando eu - fica quieto...já vai...
Ele, suspira longamente e roda a chave na ignição para baixar os vidros de trás do carro enquanto deixa escapar uma gargalhada abafada.
Não era difícil recordar o resto. Nada difícil mesmo.
Era fácil sonhar acordado.
Só que, hoje em dia, o sonho era apenas companheiro da dor familiar que morava nele dia e noite, fiel amigo solitário.
Sonhar já não era sonhar.
Apenas recordar.
Um espécie de lembranças que se misturavam para formar contos de momentos vividos com ela
a mulher que povoava os seus pensamentos de homem apaixonado.
Mas, naquela hora, em que comera um hambúrguer dentro da sua viatura ao pé da baía que tantas vezes
testemunhará desavenças e momentos amorosos entre eles, queria apenas recordar algo de bom.
Porque, para a memória que procurava, agora, faltava a cumplicidade de outros tempos, feitos de um dialog
entre duas pessoas que se conhecem...que se lêem nos olhares que trocam e que se amam, muito para além do óbvio.
Faltava a espera que dói mas que é boa, porque há a expectativa do próximo reencontro entre quem se gosta
homem e mulher que ao longo de vivências inesquecíveis se tinham entregue de corpo e alma, sem reservas,
porque o amor deles era apenas dependente das suas paixões, das suas vontades contra o mundo,
de estarem juntos...abraçados...sossegados ou a fazer amor...brincando ou sérios...a rir ou a chorar...
ou simplesmente...a sonharem.
A sonharem, por vezes em voz alto, o dia de amanhã...
