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Fox-Time

If only...we understood Love...

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Primorosa

10.11.20

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Era mais uma Segunda feira,
de uma semana,
de um mês,
de um ano.
Era mais um dia.

Tinha visto o sol pôr,
a lua acordar,
a noite abraçar a natureza,
O mundo adormecera.

Olhará o horizonte a desaparecer,
sentindo com era um mero insignificante,
perante aquele lugar maravilhoso e outrora deles.
Tal como, na vida dela.

Na noite que antecede o fim de semana, tinha-se posto a caminho do local de trabalho dela.
Evidentemente, fora por impulso, pois não tinha forma de saber se ela estaria ao serviço.
Ao chegar, aguardou uma meia hora.
A realidade e o cansaço acabaram por fazer o seu papel e perto da uma da noite,
rumou à Primorosa, clube nocturno que ficava perto.

Sentira-se fraco demais, incapaz de enfrentá-la,
incapaz de encarar o expectável olhar gelado acompanhado por frases acutilantes
que o decepariam sem piedade.


Nessa noite, uma morena fizera por ser notada, captando a sua atenção.
Era trintona de traços bonitos, cabelo marron comprido,

brincos em forma de corações prateados a fazer conjunto com um fio semelhante,
vestido curto, elegante e justo, bordeaux escuro, botas aveludadas, pretas, até ao joelho.

A actuação da cantora negra Kika, habilmente acompanhada pela banda de blues,
emprestava à noite e ao local de arquitectura peculiar um toque de engate sofisticado,
facilitando o esquentar dos ânimos e o soltar das emoções entre pessoas que se encontram,
em muitos casos, sozinhas, feridas e desamparadas.

Um simples olhar de interesse simpático, que diz - reparei em ti, és linda,
estás aqui somente com uma amiga? - seguido de uma frase mais ou menos ousada
do tipo - aceita tomar um Martini comigo, rosso ou bianco? - quebrava o impasse
dando lugar à conversa mergulhada em sorrisos mútuos.


Luxuria pela noite adentro.
Sexo pelo afecto.
Masturbação assistida.

Gemidos de prazer.
Palavras de amor ao momento.

"Já agora...sou a Marta..." - ouviu-a dizer, voz rouca, enquanto se remexia nos lençois
com movimentos de felina satisfeita, um sorriso sincero estampado no rosto corado,
vestígios do orgasmo degustado de forma bem audível.

"Olá Marta...é um prazer. Alex" - mentiu-lhe também a sorrir, de maneira convincente.
E, perante a pergunta - "tomaste algo, ou quê?", simplesmente deu uma gargalhada
e respondeu - "se tu soubesses a qualidade da viagra que vive dentro de mim!"
Na verdade, não percebia como aguentara o ritmo desenfreado que tomara conta deles,
nem de onde vinha tanta voracidade.


Quando ela adormeceu profundamente, passou pela kitchenette para beber um copo de água
e abandonou o apartamento de uma só divisão ao estilo vintage,
como tantos em Alvalade, sorrateiramente.

Sentia-se como uma personagem num filme Nova Iorquino,
faltando apenas as colunas de vapor feito fumo a emergirem pelas tampas das sarjetas
no meio das ruas frias, molhadas e desertas.
O deixar de uma rosa, à beira dela, retirada da jarra em cima do micro-ondas
acrescentara um toque romântico à noite Hollywoodesca, prazerosa mas crua.

Passava das cinco e meia quando se sentou, pesadamente, num banco de jardim,
à beira de uma roulotte para tomar um cappuccino quente.
Um casal jovem trocava beijos dentro do carro enquanto um grupo de rapazes dava largas
à diversão induzida pelas bebidas ingeridas
O cão, reformado residente, espreguiçou-se e voltou a enrolar-se no tapete áspero sujo.

O silêncio dentro dele superava largamente o da cidade adormecida.
Pensava nela.
Ela...
A feiticeira ladra.
Mulher sonhada que ficará com o seu coração,

com a sua essência, com a chama que dá vida.
Mulher que se tinha entregue sem receios, sem barreiras...a ele.

Como era ridículo (!) - o jurar de amor...eterno...

Era mais um noite.
Permanecia no vazio.
Não sabia o que fazer.
O abismo envolvia-o.
Desconfiava...
Talvez fosse castigo (!)
Uma punição merecida...

Talvez fosse...simplesmente amor...(?)
Amor do mais puro e sincero.
Não que ela o visse assim.
Tinha deixado de vê-lo assim.
Repentinamente.
Porquê?
Porquê ???

Havia quem pusesse termo à vida.
Compreendia, estupidamente, a razão.
Tinha vindo a compreender.
O que magoa demais, não é o desprezo, o virar lixo..
Não!
O que mais magoa é continuar a amar quem não merece,
contra tudo que se sabe, racionalmente, ser lógico!

Era mais um dia que nascia.
Era mais uma Segunda feira.

Tudo nele, gritava por Ela...
E,
odiava-se por isso!
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