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Fox-Time

If only...we understood Love...

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If only...we understood Love...

no meu Baú

16.09.21

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Como confessar aos céus o que se sente,
assim do nada,
sem que nada o preveja,
quando a confissão nos deixa envergonhado,
fazendo romper a postura de um ser equilibrado e inteligente?

Diz-me, sabes como se faz?

Ele conduzia alegremente,
os pinheiros na orla marítima voando na direcção oposta,
um verde mais luminoso contagiando o olhar devido aos chuviscos occoridos
naquela manhã que, no entanto, prometia ser soalheira.
Na pele levava ainda a estampa quente do corpo da mulher com quem
fizera amor ao acordar, o aroma perfumado a sexo inundando o quarto silencioso.
Ia bem, feliz, consertado da vida, um sorriso nos lábios.

Ouvia a RFM.
Bastou os primeiros acordes da música para sentir o coração contrair-se,
os neurónios eclodindo numa reacção simultânea de reconhecimento perante
a voz da cantora e a letra que dela nascia.
Subitamente, a recordação viva daquela miúda de cabelo negro
e pernas longas invadiu-lhe, agitando a saudade que ficara aprisionando
em lugar secreto.
Foi tentado a mudar de frequência mas...acabou por deixar tocar a música.
Eram recordações boas – ela linda, de lingerie preta,
copo de pé alto largo sustendo um Grão Vasco densamente avermelhado na mão,
olhos brilhantes grandes...cantando para ele, gesticulando e brincando à medida
que a canção se desenvolvia.
Todo o cenário permanecia, dentro dele, intocável.

E então, sabes como se faz???

Eu, ainda não...
Limito-me a aprender com o passar dos dias e com as situações que surgem,
como esta, inesperadamente.
No entanto, tenho a certeza que há amores que não morrem nem desvanecem.
Guardamo-los para sempre.
Habitam um dos baús que pertence à nossa alma, o Especial,
onde o percurso de vida está dactilógrafado com marcas eternas,
boas e más e sobretudo inalteráveis e inesquecíveis.

É assim...
Tu, lá estás.
O que tivemos juntos, lá está...
Estará sempre.
Em tantos retratos de tantos lugares ao som de tantas canções.

E eu,
lidarei com estes momentos com saudade carinhosa,
mesmo que,
caia uma lágrima filha da mãe!

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