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Fox-Time

If only...Love stood a chance.

Fox-Time

If only...Love stood a chance.

Minha Coradita

03.07.20

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Voltou-se.

Aninha a bochecha esquerda na almofada fofa enquanto deslizava uma perna por fora e para cima do lençol branco.
Tenta ocupar os pensamentos com o som vindo do aparelhagem de som embutida na cabeceira,
de onde You and Me dos Lifehouse emanava baixinho.

Sorri.

As palavras da canção parecem lhe escritas de propósito.
Não adianta.
O barulho de água a correr é mais forte fazendo com que ela se vir para o outro lado,
ficando a olhar a porta semiaberta,
escutando a chuva tão familiar ao interior de uma casa de banho com duche.

Ainda pior que a convicção do não, é a incerteza do talvez.
A desilusão de um quase.
Era o "quase" que a incomodava, que a entristecia, que a matava, trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou e mas ainda joga, quem quase morreu mas está vivo, quem quase sentiu-se amado, mas não o foi.
Bastava pensar nas oportunidades que escapam pelos dedos, nas que se perdem por medo.
Perguntava-se, às vezes, o que levava tantas pessoas a escolherem uma vida morna..!
A resposta, sabia de cor, estava estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.

Sobrava cobardia e faltava coragem...até para se ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses seriam bons motivos para decidirmos entre a alegria e a dor, provavelmente até querer sentir nada,
mas não eram.

Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

O barulho da água cessa.
De repente e como já era habitual, um calor subido e arrebatador apodera-se dela.
Porque lhe acontecia sempre aquilo?
Sim, hoje até que podia inventar uma desculpa,
dizer que estava num quarto estranho de seios ao léu,
cabelo mais que solto, meio encaracolado e selvático,
em parte enrolada num lençol desconhecido que apenas escondia a cuequinha vermelha rendada,
que comprara especialmente para a ocasião
e que ele estava já ali...ali...
murmurando uma canção que ela tão bem conhecia...


És terrível miúda!...
Esboça mais um sorriso. Ele dizia-lhe isso...
Aquela sensação boa acontecia-lhe mesmo ao telemóvel,
ao ler mensagens e especialmente quando escutava os áudios.

Simplesmente...acontecia!

Que cena - ocorre-lhe, à quanto tempo não dava pelo cheiro de um gel de banho para homem?
Era demasiado tarde para considerações..
Naaa - dizia-lhe - sou insensível, controlo muito bem as minhas emoções!

Mas agora, encontrava-se mesmo ali, deitada, estupidamente nervosa, à espera...

Para os erros - haveria perdão?
Para os fracassos - uma segunda oportunidade?
E...para os amores impossíveis - tempo...??
De nada ia adiantar manter a cerca que aprisionava um coração magoado e carente
ou enveredar por um plano sábio de como economizar nos sentimentos para poupar a alma.


Não! - gritou para dentro de si.
Se fosse o caso, não ia deixar que a insegurança a sufocasse
e que a rotina se acomodasse e muito menos que o medo a impedisse de tentar.

Sustem as lágrimas que teimavam em querer escapar ao lembrar-se de uma passagem que tinha lido,
fazia tempo, algures num livro, agora sem título e sem autor;


- Gasta mais horas a agir do que a sonhar,
a fazer do que a planear,
vivendo do que a esperar,
porque;
embora quem quase morreu esteja vivo,
quem quase vive já morreu! -


Sente a porta a abrir.
O cheiro dele envolve-a e quando o olha...encontra o seu olhar.
É firme, penetrante, carinhoso...
Olha-o, intensamente.
Deixa-se sentir.
É tão bom...
Dá conta que está molhada.
O ligeiro aperto no peito fazia-a respirar curtinho e o calor repentino no seu botãozinho denuncia uma excitação crescente.
Fazia tempo que não era assim, daquele jeito, tão natural.

“Agora...minha menina-mulher...” - diz-lhe baixinho, sorrindo - “agora o tempo vai parar...just You and Me...”

"Ai é? És tão convencido...enervas-me..." - diz-lhe , mas o morder do lábio inferior denuncia-lhe os pensamentos.

"Esse teu olhar..." - ele brincava - "não me enganas..."

Então, ela olha-o a retirar a toalha de banho que traz à cintura,
a luz ténue a não conseguir esconder o desejo dele por ela,
fazendo as faces dela corar e provocando-lhe uma gargalhada marota,
que no entanto está longe de interferir no seu próprio querer,
da vontade de o ter, de se entregar sem amarras, de correr o risco...

O momento era aquele...chegará!
"Não acredito nisto..." - sussurra

Apoia-se um pouco sobre os cotovelos,
arqueia o pescoço e as costas para trás,
pernas ligeiramente afastadas, uma flétida,
e fecha os olhos...lábios entreabertos
...e espera...o toque dele.

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