From FNAC with Love
15.02.20
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"Aprecia arte gótica?" - Perguntou-lhe, apontando para o livro.
"Isto? Não. Tem é umas fotografias espectaculares.
Foi apenas um pretexto para me sentar um pouco.
São estes sapatos novos que me dão cabo dos pés" - respondeu-lhe, com um sorriso de parar o trânsito.
Naquele momento, o Paul Auster foi dar uma curva, mais o seu Inventar a Solidão,
ficando a secreta promessa de, mais tarde, ela comprar o livro.
"Conheço um creme, produto natural, que resolve isso em segundos." - adiantou galantemente.
"É mesmo? Que nome tem esse creme?" - colocava a pergunta disfarçando o olhar, entre ele e o resto da loja.
Eu sou péssimo para decorar nomes de cremes, mas sei que é um frasco com um rótulo verde e azul com plantas.
Logo que o vejo, identifico-o. Se achar por bem, podemos ir à loja dos produtos naturais..."
" Really? Faz isso por mim?" - soltou uma gargalhada e olhou-o de esguelha.
"Claro que sim, porque não ? Não custa nada, até fica no meu caminho."
Levantaram-se e dirigiram-se para a saída da FNAC.
Apercebeu-se que afinal não tinha comprado o livro que pretendia.
Esperava que o creme compensasse a perda.
Achou por bem fazer as apresentações.
Disse-lhe o nome e ela, o dela.
Desceram pelas escadas rolantes e pouco depois entraram na loja de produtos naturais.
"Aqui tem. Mas olhe que a aplicação deve ser acompanhada por uma boa massagem!" - disse-lhe,
sem coneguir evitar o esboço de um sorriso atrevido.
" Pois..e aposto que o sabe...como se deve aplicar..." - respondeu, com algo de malicioso no olhar.
"Por acaso, considero-me um perito...Mas deve estar com pressa...e na verdade...não a posso ajudar..." - sorriu.
" Nãoooo...E agora? Tenho o creme, mas continuo com as dores nos pés." - olhou para o frasco e depois para ele.
Alguém pode explicar, como é que uma pessoa se deve comportar numa circunstância daquelas? - pensou.
Aquele não era um local habitual para o engate. Simplesmente...acontecera?
O que é que um pobre diabo como ele podia dizer numa situação daquelas?
Agora?
Tiro na culatra?
Achou que... "...na minha ou na tua?" - Naaa...não podia dizer aquilo!
Lembrou-se que a mulher a dias não ia ao apartamento há mais de quinze dias, um filho doente, tinha dito.
Não era difícil de adivinhar o estado em que se encontrava.
Não, o apartamento, não era, de facto, o melhor local.
Por outro lado, um conhecimento de poucos minutos não oferecia suficiente confiança para se convidar um desconhecido lá casa.
Depois, a coisa normalmente funcionava com mais dificuldade e trabalho e nem sempre era coroada de êxito.
Não que isso o chateasse sobremaneira, na verdade preferia que o lado romântico prevalece-se.
Um jantar à luz de velas, um passeio ao entardecer, horas a conversar sobre a importância das futilidades,
um beijo fugidio, uma tímida carícia.
Enfim, coisas do seu intimo.
"Se lhe dói assim tanto, posso dar-lhe uma sugestão" - disse, com toda a seriedade estampada no rosto.
"Diga. Sou toda ouvidos..."
"Aplicar-lhe o creme aqui nos corredores, não seria o melhor espectáculo.
Se concordar podemos ir ao parque de estacionamento, senta-se no banco de trás do meu meu carro...e eu...ponho.
O que acha?"
Ao ver o meu carro com quase vinte anos, apesar de grande e confrotável, vai logo descobrir que sou um teso, pensou.
Vamos ver se continua a dar trela...mas pronto, também é verdade que é dia dos namorados e ela anda por aqui enfiada nos livros!
"Aceito...Mas pode ser no meu carro? Eu tenho mesmo de ir embora. E, não sou nada destas...destas cenas..."
Nada mais lhe restava senão aceitar.
Seguiu-a até ao estacionamento.
Num dado momento, ela colocou-se dois passos à sua frente.
Vestido preto, justo. Nada de fio dental. Deu para perceber.
Não gostava assim tanto de fio dental. Preferia a descoberta ao descoberto.
E depois, aquilo não dava trabalho nenhum, não oferecia resistência, não deixava adivinhar nada, não permitia o desvio, o deslocar...
Bom bom, indiscutívelmente, era se houvesse uma marca bem visível na pele, deixada pelo verão.
Não tinha nenhum fetiche com cuecas, mas qual o homem que não imaginava como elas seriam na hora de as tirar?
Reparava, mais atentamente, no andar dela, aquelas...ancas...eram...perfeitas.
Ondulantes. Sensuais.
Olhou o parque de estacionamento em volta.
Vazio.
"Então, não entra ?" - e o olhar encerrava em si mesmo uma tentação á qual ele iria ceder, sem hesitação.
"Claro..." - ia ficando de boca aberta.
...que pernas...pois ! pernas ! ... e não só ! onde estava a... ?..nem brancas...nem pretas...nada!
Como é que ela tinha feito aquilo ? Puxa!
Aquele momento hollywwodesco estava...mesmo...a acontecer??
"Anda!" - já o tratava por tu.
"Assim fico com frio...e...é que...estou em brasa...melhor não demorares...não achas?"
Foda-se! Ah...não vais arrefecer não! - pensou, trancando a porta atrás de si.