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O dia prometia chuva...
A manhã, contudo, esteve bastante azul.
Ainda ( como ainda? ) havia mil palavras para dizer, mil palavras para escrever...
Havia mil gritos para berrar, mil lágrimas para chorar...
Mas,
para quê?
De manhã,
escutará uma canção de há muito tempo atrás.
Os Toranja - "Não falei contigo
com medo que os montes e vales que me achas
caíssem a teus pés..."
Ela também a oonhecia, aquela música.
Sim, tinha gostado.
Quantas vezes, no carro, beijos à mistura.
Nunca lhe teria passado pela cabeça,
que um dia,
estaria a ouvi-la,
sentido cada palavra,
como se fossem suas.
O Tempo era testemunha de como quisera correr até Ela,
pedir-lhe para largar um amor de ocasião,
( porque era assim que ele tentava superar a dor ).
Dizer-lhe para voltar a acreditar no Amor deles,
naquele que partilhavam há muito e que tanto tinha vencido...
Era pura idiotice.
Sabia-o.
Hoje, tambem o sabia.
Algures, o dia e a noite em volta Dela não eram cinzentos, como com ele.
Uma luz irmanava e rodeava-a
e todos em torno dela eram contagiados pela sua alegria e beleza,
os homens cativados,
as mulheres tentando esconder o ciume.
Assim,
faria daquela canção a última carta dele,
sem grande esperança,
pedindo aos Deuses,
que,
ao menos,
quando um dia Ela, ao lembrar-se do Amor deles,
o fizesse com ternura e alegria.
Desde a manhã, que estava um pouco triste.
Não sabia porquê - já ao acordar estava triste.
Ainda por cima, o dia prometia chuva!
A musica,
a chuva,
traziam com elas a recordação,
daquele dia no campo,
sozinhos,
a beira do açude...
"Não" - disse para si mesmo.