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Fox-Time

If only...we understood Love...

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If only...we understood Love...

no Teu Castelo

29.10.20

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Entardecia...
Adorava conduzir, mas àquela hora, em que o sol já perdera a força com que tinha lutado contra os chuviscos do dia, o cansaço fazia se sentir.
Seria melhor parar um pouco e descansar.
A prova tinha sido dura duvido à quantidade de lama provocada pela chuva durante o dia, bem como, nos dias anteriores.
No entanto, tinha terminado à frente dos seus companheiros para os quais as duas etapas, em que a prova fora dividida,
tinham provado ser mais desgastantes.

Estava em boa forma.
Gostaria de poder dizer o mesmo da sua condição...existencial.

A saída de Sexta durará pela madrugada fora.
Quem diria que com apenas 2 aulas básicas já conseguia bailar, sem se envergonhar, aquelas musicas calientes que todas
as miúdas tanto gostam?
Pois bem...dinheiro bem gasto...
A sua companhia tinha delirado com a sua ousadia e jeito em conduzi-la pelo enorme salão, bem como,
pela firmeza com que a segurava pela cintura, sobretudo quando a fazia girar ao som frenético do Vente pa' ca! do Ricky Martin,
as luzes coloridas a produzirem uma loucura doce à medida que os Martini bianco faziam efeito,
abrindo caminho à entrega sensual que umas horas depois a levará a pedir que ele a fizesse molhar a cama,
- "...como me fizeste da ultima vez ! Quero sentir outra vez!".


A placa azul e branca anunciava a próxima saída da auto-estrada - palmELA...
Era assim, aos olhos dele...

Porque não?

Lentamente, a sua viatura trepou a calçada da rua antiga até chegar à pequeníssima quase rotunda, aos pés da construção em pedra,
lugar para sempre ligado ao som de Nella Fantasia do Russell Watson...e claro...ela sentada ao colo dele...
e a outra noite...ele de joelho amachucado de um queda de btt a penetrá-la no banco do pendura...e a tantas outras noites de luar!


Esticou as pernas e espreguiçou-se.
Seria noite em breve.
Ali, junto aquele muro, de onde se podia vislumbrar a serra majestosa que tão bem conhecia, ali...
Ali tinham-se beijado com paixão arrebatadora...
Ali tinham subido as escadinhas de pedras gastas...
Ali tinham trocado olhares e sorrisos...
Ali roupas interiores sucubiram a paixões intensas,,,

Aquele era...e seria sempre...o castelo dela.
Era impossível dissociá-lo dela!
Havia algo que permanecia...perdurava no espaço...no tempo...na aura do lugar...

H+a entendidos que escrevem frases bonitas, conjugam palavras,
fazem querer que tudo é passageiro ou que tudo tem um propósito,
Que a vida é para ser vivida!
Que não importa as realizações!
Que as dificuldades são meros obstáculos a ultrapassar!
Que não interessa os objectivos!
Que é assim porque apenas temos de percorrer um determinado caminho para sermos alguém!


BULLSHIT!!!

Escreve-se tanta merda simplesmente porque há uma necessidade tremenda para mascarar as verdadeiras questões!
Erramos!
Fazemos escolhas erradas!
Somos obstinados!
Egoístas!
Não sabemos avaliar aquilo que temos!
Não sabemos dar valor a quem nos ama!

Agora...???
Agora era tarde...
Agora nunca mais, poderia vê-lá a fazer boca traquina quando mexia as ancas!
Agora nunca mais, poderia ouvi-la dizer ofegante - toma amor...toma!
Agora nunca mais teria um porto seguro...

Ele...
deitara tudo a perder?
Fora culpa dele?
Era tarde...
...tal como o dia já ia tarde...

Estaria ela ali por perto, ao virar da esquina, onde residia e onde havia um caixote de lixo feliz?
Sim, afinal, não é todos os dias que eles, os caixotes entenda-se, são presenteados com rosas de aniversário...

Talvez.
Ou talvez não.
Talvez estivesse na cama...

Não iria procurar o Peugoet "dela".
Às tantas até já podia ser um Nissan ou Seat.
Ou, por esta altura, um Mercedes ou BMW!

Não valia a pena.

Ele era o passado.
Ela, não precisava do passado para nada!
Até podia guardar umas recordações. Sabia como era a natureza dela. Não era de esquecer.
Guardava tudo dentro dela.
Haviam imensos arquivos dentro da caixinha dela...
E, bem ou mal...,ele tinha feito parte da vida dela durante muito tempo.

A noite chegará.
Sentia muito frio.

Não iria enganar ninguém.
Tinha de ser honesto.
Nada de promessas.
Viver um dia de cada vez.
Dar aquilo que podia dar.
Nada mais.

Voltar a chamar outra mulher de Amor?
Voltar a confiar o seu mais intimo segredo?
Voltar a abrir o coração?
Voltar a ser vulnerável ?
Não.

Bastou.
Não quereria isso nunca mais!

Para quê?

Se tudo acabasse,
como sempre tudo acabou,
SEMPRE,
na vida dele?
    

castelo palmela.jpg

 

 

 

 

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