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Fox-Time

If only...we understood Love...

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If only...we understood Love...

Mar Adentro...

18.08.20

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Estava uma noite que muitos chamariam de mágica, sobretudo aqueles que ainda sonham.

Uma meia-lua sorridente banhava toda a encosta com a sua aura prateada,
acrescentando aqui, retirando acolá,
disfarçando e modificando a seu belo prazer a verdade física do local.

A suave e pegajosa brisa que lhe fazia companhia agitava levemente as folhas carnudas da vegetação que cobria as dunas
mais próximas, deixando-as salpicadas de ínfimas gotículas reluzentes.

O mar, pachorrento, ia e vinha...afagando-lhe os pés com frescura salgada e acalmando a bombagem quente e selvagem que
tinha tomado conta dele naquela noite.

Era como se o mar turbulento, naquela noite, tivesse resolvido impregnar-se nele,
livrando o resto do mundo da sua habitual ira, soltando-a, toda, nele.

Fechou os olhos.

Como era bom!
Tão bom!
Não pensar.
Simplesmente...existir...
Ele já tinha ido até aquele local uma vez...de barco...e agora...parecia-lhe tão mais perto...
Levantou-se e caminhou em direcção às ondas quebradiças...queria inalar seu cheiro de perto,
envolver-se na espuma espessa, sentir o frio branco...queria acordar...

Do nada, vislumbrou uma figura femenina sentada nas rochas humedecidas pelas ondas.

Estava...aparentemente...nua.
O corpo ganhava uma tonalidade azul-cinzento à medida que a lua o banhava mas ele reparou que a sua pele era como leite,
macia, branca, acetinada, o
s seus seios arredondados cobertos por longas tranças, as mãos eram esguias e
uma cauda com protuberâncias pontiagudas conferia-lhe um ar suficientemente perigoso.
Percebeu que ela sorria, lábios que eram carnudos e da cor de cerejas maduras.
Olhou-a, ali sentada a acariciar uma estrela-do-mar que descansava.
Contemplou o seu corpo e fixou-se nos olhos que eram escuros, tal como o fundo do mar.

Ela voltou a sorrir.

Sacudiu os cabelos deixando os seios expostos para que ele as pudesse ver.
Repentinamente, movimentou os braços num gesto que fez as serenas ondas ondularam, nervosas, até ele.

O ar fugir-lhe dos pulmões.


Vem...vem...

Podia sentir que estava a ser consumido pela água que lhe inundava o corpo para lhe esvaziava a mente,
deixando penetrar a voz dela.
Dava conta que o seu corpo a desejava para além da sua mente.

No entanto, algo nele dizia-lhe que aquela voz poderia ser venenosa, os seus lábios, a morte...

Um ardor dominou a sua garganta, assim como um sabor excessivo a sal.
Estava a afogar-se.
Sentia o folgo da vida a escapar-se.

Sentia-a.
As mãos esguias envolviam-he, as longas e torneadas pernas entrelaçavam-se nas suas coxas,
as unhas penetravam no seu tronco e os cabelos acariciavam a sua face.

Murmurou algo em forma de dezenas de bolhas de água.
Morreria, sabia-o.
Se não fosse de afogamento seria do beijo peculiar que ela lhe dava, lábios espessos, língua mais do que ardente.

Sim...agora tinha a certeza... Morreria!
Já estava tudo escuro...

Quando a olhou, ela já não se encontrava nua, antes, estava coberta por finos fios de ouro e diamantes
extraordinariamente alinhados por forma a salientar as curvas esbeltas do seu corpo.

Sem parar de sorrir, colocou os braços em volta do pescoço dele e susurrou-lhe ao ouvido:
Demorou tanto tempo...mas por fim...depois de tantas vidas inúteis...aqui estás tu...
Não voltas a fugir...desta vez...tenho a tua vida...é minha!
O olhar dela mudou e o seu corpo, a cauda musculada, apertou-se contra o dele com demasiada força para uma simples mulher.

Sentiu novamente o ar a faltar-lhe.
Seria possível morrer na própria morte?

Uma sensação boa e reconfortante invadia-lhe o coração...
Como morrer era...estranho...sossegado...tranquilo...
Relaxou.
Suspirou.

Tinha ele, suspirado ??
Mas...como?? SE estava morto??
E onde tinha ela ido??

Quando pensava encontrar a resposta...acordou...

Ergueu-se e cruzou as pernas.
Deu conta que estava todo molhado apesar do mar se encontrar bem longe.
Fitou o horizonte longínquo.
O dia espreitava sorradeiramente e ele podia ver o início do céu.
Num só movimento, libertou-se da posição em que estava para logo sentir o inevitável enterrar dos pés descalços na areia.
Levantou as mãos ao alto e soltou um gemido preguiçoso.
Depois...segui-se uma forte gargalhada.

Não seria nada mau - pensou – morrer assim!

Lentamente começou a caminhada pelas dunas acima enquanto ria descontraidamente.

Repentinamente parou e o seu coração ameaçou fazer o mesmo.
Tinha chegado ao cimo.
Voltou-se.
Semi-cerrou os olhos.

Tinha ou não visto aquilo??
Aquilo...eram...
Suas?
Não tinha ele visto pegadas...em direcção...ao mar??

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