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Fox-Time

Fox-Time

Pausa para Amar

09.03.20

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O quarto iluminava-se apenas pela luz dos relâmpagos que soavam no exterior.

As roupas encontravam-se espalhadas pelo chão.
Franziu a sobrancelha perante esse detalhe, detestava coisas fora do lugar.

Soou outro trovão, mais alto e perto do que os outros, acompanhado por uma rajada de vento que atirou as pesadas
gotas de chuva contra a janela de vidro.

A figura na cama moveu-se, atraindo a sua atenção.
Mais um relâmpago iluminou o quarto, intenso e passageiro, mas suficientemente longo para que pudesse
ter um vislumbredo que tinham desfrutado há poucos minutos.


Curvas pronunciadas que escapavam a um lençol que deslizara peo corpo escultural abaixo,
do mesmo modo que as suas mãos haviam feito há pouco.

Agora, não haviam gemidos a escapar daqueles lábios femininos,
ou o seu nome sendo murmurado, de maneira a fazê-lo perder todo o controle,
de que se orgulhava tanto em possuir.

Levantou-se lentamente da cadeira aveludada e aproximou-se da cama com passos felinos,
os olhos percorrendo a sua amante adormecida e a maneira como ela respirava profundamente.

A sua expressão suavizou-se quando percebeu o modo quase infantil como ela abraçava a almofada.
Aquele pequeno gesto era a única coisa infantil nela.


Sentou-se na cama, ainda observando cada traço com atenção.
Não era como se a nunca tivesse visto antes, ou mesmo admirado os longos cabelos escuros,
que agora jaziam espalhados sobre o lençol e que naquela pouca luminosidade
pareciam ser da mesma tonalidade.
Inclinou-se sobre ela e inspirou o perfume inebriante, enquanto os seus dedos se afundavam na massa sedosa de cabelos.
Mentalmente dizia que estava apenas deixando-a mais confortável ao afastar aquela mecha teimosa, e não,
cedendo ao desejo de tocá-la mais uma vez.


Ouviu-a murmurar o seu nome novamente.
O mesmo tom cativante que ouvira antes naquela noite, a mesma necessidade e desejo de tê-lo o mais perto possível.
Deslizou o polegar pela maçã do rosto dela e sentiu-a estremecer a seu lado, ficando sem saber ao certo,
se por a ter tocado, se pelo barulho da tempestade.

Ficaram assim por algum tempo, o silêncio quebrado apenas pelo som da chuva contra as vidraças e as suas respirações.
Parecia tão natural estar perto dela, sentir o seu toque e tê-la a seu lado, que perder esse breve contacto era quase doloroso.

Viu a expressão dela endurecer, quase uma cópia de sua própria reacção e o corpo quente afastar-se do seu.
Impulsionado por algo forte, que não entendia, ou queria nomear, baixou os lábios sobre os dela,
as suas mãos deslizando pelas costas nuas acima, puxando-a contra si.

O toque delicado no seu peito, ao invés de afastá-lo, transformou-se num abraço quando os braços dela enlaçaram o seu pescoço.
O beijo, delicado a princípio, tornara-se cada vez mais exigente, enquanto os corpos se moldavam,
derretendo-se lentamente para se encaixarem melhor, um no outro.

Pensar era, de facto, algo desnecessário quando as acções falavam mais alto e quando as suas mãos tomavam vida própria,
afastando o lençol do corpo delicado, colado ao seu.

Gemidos e suspiros enchiam o quarto.

Surpreendeu-se ao reconhecer a sua própria voz a chamar por ela enquanto lábios escaldantes e aquosos devoravam os seus
em resposta a suas provocações.

O perfume feminino parecia penetrar no seu corpo cada vez que inspirava em busca de ar,
o corpo dela circundando o seu, gemidos a ecoarem em sintonia.

As suas mãos deslizavam pelo corpo dela como se procurassem decorar cada curva, cada ponto delicado que
a fazia suspirar de prazer e murmurar seu nome como uma suave melodia, algo conhecido e misterioso,
que o incentivava a continuar com sua exploração apenas pelo prazer de ouvi-la por mais algum tempo.

Os toques suaves na sua pele transformavam-se em pequenos arranhões nas suas costas, puxando-o contra o corpo
que correspondia ao seu com a mesma urgência do desejo que percorria as suas veias.

Adivinhava a suave promessa do êxtase.
Podia senti-la a perder o controle, pequenos gritos deixavam os seus lábios, o corpo contorcia-se sob o seu em busca
da mesma sensação inebriante.
Apertou-lhe as nádegas, puxando-a contra si enquanto o seu próprio corpo se afundava no dela uma última vez.

Fechou os olhos, os lábios procurando pelos dela.

Os corpos trémulos fundiam-se plenamente enquanto desfrutavam do prazer intenso que tanto ansiavam,
apagando qualquer pensamento persistente.

Deixou as mãos macias escorregaram pelas suas costas húmidas de suor, deu conta da voz dela ainda rouca,
susurrando o seu nome de forma quebrada, sua respiração ofegante, misturando-se com a sua.


Levantou a cabeça, observou a expressão relaxada e satisfeita no rosto dela e beijou os lábios inchados
antes de se colocar de lado, puxando-a contra si.

Permaneceram assim, os corpos enroscados um no outro, os lençóis cobrindo-os parcialmente,
enquanto a chuva continuava a cair, mais brandamente, do lado de fora.


Olhou o tecto, observou as sombras que se moviam sobre a superfície lisa formando desenhos sem definição,
eram apenas mais uma forma de lembrá-lo do pouco tempo de que dispunham.
Queria tanto desfrutar daquele momento...o máximo possível!

Abraçou-a com mais força.
Os braços delicados contornaram a sua cintura e o corpo curvilíneo aninhou-se contra o seu,
enquanto um suspiro satisfeito escapava.

Aquela sensação de plenitude, como se após uma longa jornada houvesse finalmente encontrado o que lhe faltava,
era tudo o que precisava.

Estar no controlo ou preocupar-se com a sua rotina quebrada, parecia, agora, completamente sem sentido.
Deixaria tudo isso para o amanhã, quando ela desaparecesse, deixando-o no escuro novamente,
devolvendo-o apenas, à sua velha e conhecida rotina.