Vem...

Tinham regressado de um passeio junto ao mar.
A chuva caía desalmadamente, frenéticamente, vedando o carro do mundo exterior,
emprestando o seu manto de gotas serradas, que já haviam coberto os seus corpos.
Ela olhou para ele.
Ele sorriu.
Como ela adorava aquele sorriso!
Ela aproximou-se dele, devagar.
Enroscou-se no seu colo e sussurrou-lhe ao ouvido:
Vem.
Ele agitou-se, pegou nela e voltou a sentá-la.
Puxou o banco para trás e ficou a olhar para ela.
Passou as mãos devagar pelo seu cabelo.
Ela fechou os olhos.
Ele continuou.
Passou-lhe os dedos pelos lábios, depois pelo pescoço.
Desapertou-lhe os botões da blusa.
Gostava que ela usasse as prendas que lhe dava.
O colar assentava-lhe tão bem...tão...elegante...
Ela abriu os olhos e seguiu todos os seus gestos.
Lentos, premeditdos, fazendo crescer o desejo dela.
Vem.
Ele continuou, peça por peça, devagar...
Quando os olhos dele voltaram a encontrar os dela, ele voltou a sorrir.
Vem.
E ele foi.
Tocou-lhe nos cabelos como ela gostava,
passou a língua pelo seu ouvido e murmurou:
Já estou a caminho...
Não...Vem...Depressa !